Centro Técnico
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| Núcleo de criação e produção para vários espetáculos
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O Centro Técnico do Teatro Castro Alves é uma verdadeira força-tarefa. Responsável pela cenografia, figurinos, adereços e maquiagem de espetáculos, não só do Teatro como também de produções externas, o setor conta com 15 funcionários, coordenados pelo designer e ator Agamenon de Abreu. Para se ter uma idéia da dimensão desse setor, basta contar o guarda-roupa: cerca de 11 mil peças, das quais duas mil são do Balé Teatro Castro Alves. O guarda-roupa reúne ainda os figurinos dos oito espetáculos do Núcleo de Teatro (“Otelo”, “O Sonho”, “Medéia”, “Roberto Zucco”, “Lábaro Estrelado”, “A Vida de Galileu”, “Volpone”, e “Os Iks”), além de doações de montagens externas.
Vale ressaltar que o setor funciona como apoio logístico e é muito solicitado por outros produtores. O Centro Técnico também empresta figurinos a grupos de artes cênicas, mediante solicitação feita à direção do TCA, que cobra uma taxa de aluguel destinada à conservação do acervo. Outro setor muito solicitado, o de Maquiagem, funciona como um laboratório no qual os atores fazem os testes de efeito de maquiagem e mais um destaque fica por conta da Cenografia. Todo o acervo do Centro Técnico do TCA pode ser conhecido pelos baianos e turistas, através de visitas organizadas pelo próprio Teatro.
EQUIPE TÉCNICA DO TCA NÃO POUPA ESFORÇOS
PARA UM BOM ESPETÁCULO
"NÃO ME VEJO FAZENDO OUTRA COISA"- Cláudia Salomão- Gerente
Artistas satisfeitos, público contente, muitos aplausos. Sempre que isso acontece, no final de cada espetáculo, na Sala Principal e na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, boa parte desse sucesso deve ser creditada à equipe técnica do TCA, formada pelo chefe de palco, Antonio Marcos, sete maquinistas, sete iluminotécnicos (eletricistas de espetáculo) e três camareiras, todos sob a orientação cuidadosa da Gerente Técnica, Cláudia Salomão.
Há oito anos na função, ela já tem 13, no TCA, onde iniciou suas atividades como chefe de palco. "Comecei e não parei mais. Não me vejo fazendo outra coisa", diz Cláudia, baiana de Jequié, formada em Direito pela Ufba, e membro da comissão de eventos da Ordem dos Advogados do Brasil. Mas não advoga.
Envolvida com produções artísticas desde os tempos universitários, a sobrinha do falecido poeta Wally Salomão confessa que "se tivesse uma rotina com a hora certinha, não iria me adaptar mais". Cláudia Salomão já foi assistente da diretoria da Fundação Gregório de Mattos, e há nove anos está também na produção técnica e direção de palco dos shows do cantor e compositor Carlinhos Brown, no Brasil e no exterior.
Antes da estréia - O gerente técnico faz a ponte entre o produtor e o teatro, com relação à cenografia, iluminação e todas as demandas técnicas de cada apresentação. Por isso, o trabalho começa bem antes da estréia do espetáculo, "logo quando se fecha a data, porque é preciso saber os detalhes da montagem para fazer as adaptações e evitar surpresas e problemas de última hora, que acabam elevando os custos da produção", explica Cláudia, acrescentando que a troca de informações é fundamental, especialmente quando se trata da montagem de um grande balé ou uma ópera, por exemplo. A parte técnica é um trabalho que exige sacrifício da equipe, com relação a horários, pois a colocação dos cenários e da luz e os ensaios muitas vezes vão até a madrugada.
"Simples" - Não muito raro, tem espetáculos de fora que os produtores garantem: "É tudo muito simples" (de ser montado). Mas quando chega a hora, precisam de algumas providências que não foram mencionadas. Segundo Cláudia, também tem as produções que ficam em
silêncio, ninguém fala nada. "Então nós pensamos: ou está tudo muito bem ou vai dar problema." Com os grupos locais de teatro, a dificuldade é quando os cenários chegam com partes incompletas, para serem terminadas ainda no palco. Isso poderia ser evitado, porque o TCA possui um Centro Técnico que está preparado para dar o suporte profissional necessário.
Até 15 dias - Mesmos os pedidos mais excêntricos são atendidos, como, recentemente, o de uma piscina rasa com água, no Palco Principal, para uma coreografia de dança contemporânea. Quando se trata de show musical com um só cenário e poucos artistas, o palco é preparado em poucas horas. Para uma peça teatral ou ópera que já vem pronta, são necessários dois dias. Já uma ópera produzida no próprio teatro requer de 10 a 15 dias de montagem.
Fernanda Montenegro- "Gosto de estar perto, no palco e não na platéia", diz Cláudia Salomão, explicando que o chefe de palco é quem dá o OK para o show ou a peça começar, mas quase sempre é ela mesma quem faz o sinal. "Para mim, o maior estresse é o horário. Temos que começar na hora porque a pontualidade é uma marca conhecida e respeitada do TCA, mas alguns produtores tentam atrasar por 10, 15 minutos o início." Falando de curiosidades, Cláudia conta, sem citar nomes, que existem artistas famosos que não se comunicam com ninguém, fora do espetáculo. Já outros, "muito atenciosos e simpáticos, conversam com os funcionários e sabem até nomes de quem trabalha no teatro". Aí, ela lembra de Cláudia Raia, Paulo Autran e Fernanda Montenegro, "a quem chamados respeitosamente de dona Fernanda."
Um dia de trabalho não é igual ao outro. Às vezes há um problema de última hora, e isso interfere na dinâmica, e causa estresse, por mais que se tenha a disciplina de determinados procedimentos. Sempre no início, no intervalo e na última cena é que a equipe tem de estar muito ligada para contar os minutos, ligar a luz da platéia etc. No final, baixam-se as cortinas, e começa o desmonte do cenário. Só depois, vem a merecida satisfação de mais uma jornada cumprida. Por favor, apaguem as luzes!
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