O BAHIA BALLET E CIA ILIMITADA SOBEM AO PALCO PARA MOSTRAR AS COREOGRAFIAS "AGBARA" E "JOGOS TEMPORÁRIOS"
Um espetáculo inusitado vai acontecer de 28 a 30 de abril, na Sala Principal do Teatro Castro Alves, com a apresentação da Cia Ilimitada e do Bahia Ballet, em comemoração aos 25 anos de fundação do Balé Teatro Castro Alves, nos seguintes horários: dias 28 e 29, sexta e sábado, às 21 horas, e dia 30, domingo, às 20 horas. As duas companhias são formadas, respectivamente, por antigos e pelos atuais bailarinos do até então denominado BTCA, marca que hoje compreende esses dois corpos artísticos do Teatro Castro Alves. O espetáculo terá preços populares de R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia). Na primeira parte, a Cia Ilimitada apresentará a coreografia inédita "Jogos Temporários - para quê, como, até quando", com argumento e direção da coreógrafa e professora da Universidade de Brasília, Márcia Duarte. Em seguida, o público conhecerá "Agbara", a mais nova coreografia do Bahia Ballet, criada por Maurício de Oliveira, de volta ao Brasil, depois longa atuação na Europa como dançarino e coreógrafo. A diretora do Bahia Ballet e bailarina da Cia Ilimitada, Lílian Pereira, afirma que o encontro das duas companhias no mesmo espetáculo é um presente para o público baiano, que verá as vertentes do BTCA - os veteranos e a companhia oficial - com todo o seu brilho e estilo. As duas companhias são mantidas pela Secretaria da Cultura e Turismo, através da Fundação Cultural do Estado e o TCA.
Internacional - "São 25 anos de história da dança contemporânea na Bahia", assinala o diretor do Teatro Castro Alves, Theodomiro Queiroz, lembrando que o BTCA foi o primeiro corpo artístico do teatro e que, a partir daí, "se formaram os contornos definitivos desse grande complexo cultural." Entre os grandes méritos do BTCA, Theodomiro assinala que a Companhia conquistou espaço na Bahia, nas principais capitais brasileiras e, sobretudo, ganhou visibilidade internacional, tendo se apresentado em grandes festivais europeus e importantes teatros, como o Joyce Theater, de Nova Iorque, considerado o templo da dança nos Estados Unidos. "O Bahia Ballet nos traz imensa alegria e orgulho quando de suas apresentações, seja no Palco Principal do TCA ou em praças públicas e por todos os lugares aonde leva o seu talento e competência. Esses 25 anos são o resultado de um trabalho imensurável, desenvolvido pelos bailarinos, diretores, coreógrafos, técnicos e auxiliares", diz o Theodomiro Queiroz.
O diretor da Fundação Cultural do Estado, Armindo Bião, afirma: "O BTCA se inscreve na venturosa história baiana das artes e, até mesmo, da cultura barroca, que apresentou a Bahia para o mundo. O aniversário do BTCA em 2006 merece, sobretudo, ser celebrado, por sua forte inserção internacional, nacional, regional e local, explicitada pela consolidação do Bahia Ballet, e pela emergência da Cia Ilimitada, formada em 2004 por seus dançarinos seniores".
Também o secretário da Cultura e Turismo, Paulo Gaudenzi, comemora: "Diria, sem medo de errar, que o Balé do TCA é um dos melhores do País, combinando a técnica da dança clássica com o swing baiano. O Governo da Bahia tem orgulho de ter praticamente levado o BTCA para todo o mundo: nas Américas, Europa e Oriente Médio, participando de festivais e se apresentando em grandes palcos".
COREOGRAFIAS :
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Coreografia "Jogos Temporários "
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"Jogos Temporários - para quê, como, até quando" - Argumento e direção: Márcia Duarte. Perguntas sem respostas inspiram dez cenas retiradas do cotidiano de nossas relações, projetadas sobre um tabuleiro fictício, expondo diferentes conflitos humanos. Segundo a coreógrafa, professora e pesquisadora Márcia Duarte, da Universidade de Brasília, esse trabalho dá continuidade à sua trajetória artística de investigação de processos criativos (em estudos de mestrado e doutorado), que permita a criação de uma obra pulsante, viva, de modo a provocar no espectador não a atitude contemplativa, mas o conflito, o envolvimento com a cena que acontece. Ela considera a Cia Ilimitada um desafio "porque preciso abordar um universo que corresponda à maturidade e aos anseios do grupo. Quando o bailarino é jovem, você alicia ele para o seu pensamento. Com a Cia Ilimitada, você tem que fazer alguma coisa que diga respeito a eles; é uma questão de cabeça, nem tanto de corpo." "Jogos Temporários" tem cenografia e figurinos de J. Cunha; iluminação de Irma Vidal, e música de Paulo Lima, Pedro Amorim e Maurício Kobler. Márcia Duarte desenvolve projetos na Bahia desde 1980, e consagrou-se no Ateliê de Coreógrafos Brasileiros Ano II, realizado no TCA em 2003, com a coreografia "De Touros e Homen"s.
"Agbara" - Criação de Maurício de Oliveira. Em iorubá significa "o senhor que sustenta o corpo". Pela primeira vez, o bailarino e coreógrafo goiano Maurício de Oliveira utiliza o tema da ancestralidade africana. Ele está de volta ao Brasil, depois de atuar no Frankfurt Ballet, então dirigido pelo americano William Forsythe, e em outras companhias de dança na Europa. "O fato de ser em Salvador e com o BTCA, com o qual já atuei, de 1993 a 94, me deu essa proximidade natural com o tema", explica. "Agbara" põe em questão a importância dos rituais, ligados à milenar filosofia africana, que estão na base da formação cultural brasileira. A trilha sonora, uma fusão de ritmos africanos com música eletrônica, é resultado de uma pesquisa do compositor e professor Tato Taborda. O figurino conta com a colaboração da designer baiana Goya Lopes, e o cenário, com a colaboração do artista plástico baiano Zuarte Júnior.
BAHIA BALLET - Com mais de 40 coreografias consagradas no seu repertório, o Balé Teatro Castro Alves já era denominado Bahia Ballet nos espetáculos fora do Brasil. Na primeira formação, em 1981, o BTCA selecionou de 63 candidatos 14 bailarinos, todos baianos, e despontou como a primeira companhia de dança profissional do Norte e Nordeste e a quinta oficial do País. Atualmente, há uma diversidade no grupo de 22 bailarinos, com integrantes também do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Minas Gerais.
"Não podemos esquecer que esses 25 anos nos deram história e um lastro. Agora, estamos buscando novos rumos para descobrir 'o homem dançante do século XXI.' Somos uma Companhia contemporânea que tentamos uma linguagem universal, mas não podemos esquecer as nossas raízes de baianos, brasileiros e sul-americanos", diz a diretora Lílian Pereira. Além de atuar em Salvador e cidades do interior do estado, a Companhia realiza temporadas em outras regiões do Brasil. A partir de 1992, começou a projeção internacional, com turnês nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Suíça, Áustria, Itália, República Tcheca, Portugal, Israel e Argentina. A temporada mais recente ocorreu no ano passado (2005), em teatros de Berlim e Colônia, na Alemanha. Coreografias como "Sanctus", e "Mandala", de Luís Arrieta, "A Sagração da Primavera", de Oscar Araes, e "Paradox", de Tíndaro Silvano, são alguns dos trabalhos mais aplaudidos do Bahia Ballet, onde quer que se apresente.
Dançarinos: Adriana Bamberg, Agnaldo Fonseca, Ajax Vianna, Ana Elisa Supra, Camila Galvão, Christine Ceconello, Christiano Joaquim, Ditto Leite, Elias Bouza, Francisco Silvino, Hélio Silva, Idevan Delefrate, Izabel Ferreira, Janildo Gonçalves, Lila Martins, Luíza Meireles, Paty Nunes, Rodrigo Mello, Solange Lucatelli, Thaís França e Ticiana Garrido.
CIA ILIMITADA - Com apenas dois anos de formada e cinco coreografias já apresentadas ao público, a Companhia reúne ex-dançarinos do Balé Teatro Castro Alves, com idade acima dos 35 anos, sob a direção do maître Carlos Moraes, um dos maiores nomes da dança na Bahia e no Brasil, com respeitável currículo em balés de repertório, clássicos, tradicionais e modernos. O grupo apresenta uma proposta inovadora, irreverente, aberta à contemporaneidade, e tem feito espetáculos em Salvador e no interior, principalmente no projeto Circuladô de Verão, da Fundação Cultural.
"Somos, ao mesmo tempo, coreógrafos, professores, diretores, assistentes, ou seja, reunimos a maturidade e experiência que levam a um trabalho muito consistente", diz a diretora assistente, Ivete Ramos, que já foi bailarina do BTCA, coreógrafa e professora, inclusive na Espanha, onde morou vários anos.
Dançarinos: Ângela Bandeiras, Alice Becker, Evandro Macedo, Fátima Berenguer, Gilberto Baia, Gilmar Sampaio, Iracema Cersósimo, Jane Vasconcelos, Joffre Santos, José Sampaio (China), Leonard Henrique, Lilian Pereira, Luis Molina, Sônia Gonçalves, Marcos Napoleão, Paullo Fonseca e Rosa Barreto. |