Perc
Pan - Panorama Percussivo Mundial
Um dos mais importantes e prestigiados festivais
de Percussão do Mundo, o Perc Pan
completa 15 anos em clima de festa e vai
realizar apresentação na Sala
Principal do TCA. O Perc Pan - Panorama
Percussivo Mundial chega a sua 15ª
edição trazendo em setembro,
para Salvador, os principais expoentese
novidades produzidas em todo o mundo na
música percussiva internacional.
Entre as principais atrações
programadas para este ano estão os
cubanos do Sintese, o grupo Amazones, da
Guiné, os norte-americanos do Stomp
e o grupo espanhol Faltriqueira, da Galícia.
Entre as atrações nacionais
estão Marcos Suzano, Alex Meirelles
e Wagner Tiso, que se apresentam no Rio
e em Salvador, Os Ritmistas e Laudir Oliveira,
que se apresentam no Rio de Janeiro, e o
Rumpilezz e Orlando Costa, que se apresentam
em Salvador.
No Rio de Janeiro o Perc Pan tem o patrocínio
da Oi, através da Lei de Incentivo
à Cultura do Estado do Rio de Janeiro,
e o apoio do Oi Futuro; em Salvador o festival
tem o patrocínio do Bom Preço
e da Oi, através do Fazcultura, do
Governo da Bahia, Secretária de Fazenda
e Secretária de Cultura do estado.
Na capital baiana o apoio também
é da Oi Futuro.
O Perc Pan realizou sua primeira edição
em março de 1994, em Salvador, e
desde então já apresentou
mais de 150 atrações vindas
de 33 países, sempre com o objetivo
de estabelecer um panorama da música
percussiva produzida em todo o mundo, reunindo
seus principais expoentes e propagando-a
de volta para o mundo, promovendo a universalidade
da linguagem e a aproximação
de culturas distintas, por meio da música.
Em anos anteriores o Perc Pan já
passou por São Paulo, Rio de Janeiro,
Recife e teve uma edição internacional
em Paris. Firmou-se como pólo irradiador
de tendências da percussão
mundial, reunindo os maiores nomes do gênero
em todo o mundo, além de alguns dos
maiores expoentes da música instrumental
brasileira.
As principais atrações
A história do grupo Les Amazones,
da Guiné, está ligada à
política de seu país. Quando
se tornou independente, em 58, o país
viu sua capital, Conakry, transformar-se
em um centro cultural e revolucionário,
incentivados pelo presidente Sekou Touré.
Uma das atrações surgidas
nesta época foi a Orquestra Feminina
de La Gendarmeria de Guinea, criada para
apoiar a libertação das mulheres.
Inicialmente reunia voluntárias com
mulheres que se juntavam à orquestra
para obedecer ordens - e aos instrumentos
inicialmente tocados por elas - acordeões,
mandolinas, foram se juntando guitarras
elétricas, baixos, baterias. O grupo
se transformou em Les Amazones e seu nome
se propagou pela África e depois
pelo mundo. Em 47 anos de carreira, apenas
dois discos para alimentar a lenda. No mês
passado foram a capa da britânica
Folk Roots, a mais prestigiada revista de
world music do mundo.
As quatro garotas do grupo Faltriqueira
também ocuparam a capa da Folk Roots,
em agosto de 2003. Sua música - iniciada
com os ritmos tradicionais da Galícia,
mas logo abertas para os ritmos universais,
não tardaram a ganhar o mundo - começaram
conquistando o Senegal, chegaram à
Europa Oriental e logo depois aos Estados
Unidos. Assim, seu repertório pode
incluir desde o chileno Victor Jara até
o português Zeca Afonso. Seu primeiro
CD foi lançado em 2002 e escolhido
entre os 10 melhores do ano de world music.
Desde então sua agenda inclui viagens
por todo o planeta e gravações
com grupos de igual prestígio. Há
dois anos lançaram seu segundo disco,
produzido igualmente pelo francês
Pascal Gaigne.
Encabeçado por Carlos Afonso o Grupo
Sintesis, surgido há mais de duas
décadas, é um dos emblemas
da música contemporânea cubana.
Segundo vários especialistas, é
sem dúvida a melhor banda de fusion
da Ilha. O Sintesis apresenta um estilo
bastante peculiar, onde conjuga raízes
africanas impregnadas do som tradicional
da ilha, com correntes de jazz e rock. Já
gravaram 12 discos, a maioria deles premiado,
e em 2002 foram indicados ao Grammy latino
de melhor álbum pelo CD "Habana
a flor de piel". O sucesso internacional
já os levou a palcos da Inglaterra,
Suiça, França, Italia, Alemanha,
Espanha, Dinamarca, Holanda, Finlandia,
Mexico, Argentina, Brasil, Canadá
e Eua, entre outros, além de participações
em importantes
festivais por todo o mundo como o Festival
de Montreux, o PopKomm e o Rock In Rio 3.
Também já dividiram os palcos
e estúdios com nomes como Chuco Valdés,
Gonzalo Rubalcaba, Pablo Milanés.
Wynton Marsalis, Arturo Sandoval , Fito
Páez, Stuart Copeland, Asia Dub Fondation,
Rick Wakeman e Lenine, entre outros. O grupo
é formado por seis músicos,
a maioria egresso da Escola Nacional de
Arte.
O Stomp foi criado em 1991 por Luke Cresswell
e Steve McNicholas, para explorar os ritmos
da vida cotidiana. Os instrumentos que o
grupo usa são tão variados
e surpreendentes como canos de alumínio,
sacos de areia, recipientes cheios de água,
latões de lixo e restos do mobiliário
urbano. Hoje, existem mais de 10 companhias
diferentes rodando o mundo simultaneamente,
com apresentações nos Estados
Unidos, América do Sul, Ásia
e Reino Unido. Sua sonoridade única
já foi vista nos quatro cantos do
mundo inteiro nos anúncios da Coca-Cola
e da Toyota. Participaram das festividades
da celebração do milênio
organizadas pelo ex-presidente americano
Bill Clinton, atuaram ao lado de Quincy
Jones e com os músicos
do Vila Sésamo. No carnaval brasileiro
de 2000 iniciaram a produção
de um filme - "Pulse - A Stomp Odyssey",
com a participação de nomes
como o grupo brasileiro de percussão
Timbalada e a bailarina Eva Yerbabuena.
Marco Suzano, percussionista carioca, escutava
rock na adolescência até ouvir
o naipe de percussão de um bloco
carnavalesco e ficar fascinado. Comprou
diversos instrumentos, tocou surdo, cuíca,
e fixou-se no pandeiro depois de assistir
a um programa com Jorginho do Pandeiro,
do conjunto Época de Ouro. Marco
Suzano já tocou e gravou com grandes
nomes da música brasileira, como
Gilberto Gil, Chico Buarque, Lenine e Gal
Costa. Em 1993 sua parceria com o músico
pernambucano Lenine se transformou no elogiado
disco "Olho de Peixe", lançado
pela gravadora Velas. Seu primeiro disco
solo, "Sambatown", é de
1996, e traz concepções inovadoras
para o uso do pandeiro, intensificando a
batida samba-funk e a utilização
de sons mais graves. Em 2000 sai pela Trama
o CD "Flash", em que o músico
envereda ainda mais pelos caminhos da eletrônica.
Sua contribuição na direção
artistica do Panorana Percussivo Mundial
começou em 2001, e por dois anos
dividiu essa função com o
hoje ministro Gilberto Gil. A partir de
2003, até o presente ano, ele tem
sido o diretor artístico deste que
é o maior festival de percussão
do mundo. Suzano estará se apresentando
com o
tecladista Alex Meirelles, que toca há
16 anos com o grupo Cidade Negra, e mantém
um duo com o Suzano. Juntos, os dois já
gravaram quatro discos.
Wagner Tiso é músico, arranjador,
regente, pianista e compositor. Aprendeu
teoria musical com Paulo Moura e especializou-se
em teclados. Participou do conjunto Sambacana
em 1964 e dois anos depois foi trabalhar
com o antigo mestre. Acompanhou diversos
artistas, como Cauby Peixoto, Ivon Cury,
Maysa e Marcos Valle. Em 1969 entrou para
a banda Som Imaginário,
que acompanhava os shows de Milton Nascimento.
Logo começou a fazer sucesso no exterior,
apresentando-se em Atenas e Montreux, e
também acompanhando não só
Milton, como também Flora Purim,
Ron Carter e Airto Moreira. Nos anos 70,
fez arranjos para Gonzaguinha, Paulo Moura,
Johnny Alf, o próprio Milton e outros.
A principal característica do grupo
baiano Rumpilezz são composições
e arranjos concebidos a partir das claves
e desenhos rítmicos do universo percussivo
baiano, inspirados nos toques dos Orixás,
no culto do Candomblé e nas grandes
agremiações percussivas, como
o Ilê Aiyê, Olodum e Sambas
do Recôncavo. Letieres Leite, maestro,
compositor, arranjador e axofonista
criou o grupo em 2006 com uma formação
próxima das big bands. Ele foi concebido
em um estilo atual, com influência
jazzística, onde as improvisações
também marcam presença. Com
o intuito de fomentar a troca de experiências
que resultem em novos caminhos para a música
instrumental, o maestro teve a idéia
de reunir conhecidos tocadores de atabaques,
os "Alabés", percussionistas
das "Levadas Baianas" e renomados
músicos de sopro para que deste encontro
surgissem alternativas para a música
instrumental brasileira de improviso. A
Orkestra Rumpilezz tem um trabalho onde
tudo foi pensado nos mínimos detalhes.
Além do som e da formação
no palco, o figurino foi estratégicamente
bolado para valorizar os contrastes. Os
percussionistas tocam de Smooking e os sopros
usam sandália, bermuda e camiseta,
tudo branco.
Laudir Oliveira foi um dos primeiros músicos
brasileiros a difundir a percussão
afro-brasileira no exterior, primeiro trabalhando
com o grupo de dança "Brasiliana"
e depois tocando com Sérgio Mendes,
Joe Cocker, Chicago, Jackson 5 e Milton
Nascimento entre outros. Citado como influência
por músicos com o João Bosco,
e Carlos Santana, ele cresceu ao lado de
artistas como Pixinguinha, que conheceu
quando criança. Já tocou na
bateria da Imperatriz Leopoldinense, e atualmente
trabalha ao lado do grupo Imã e também
como produtor.
Os Ritmistas é uma banda composta
exclusivamente por bateristas, mas que confirmam
a pluralidade de nossa música e a
criatividade da contemporânea MPB.
Com muita delicadeza: ruídos e canções
formam uma paisagem de eventos aparentemente
desconexos. Dany Roland, Domenico Lancellotti
e Stephane San Juan, lançaram seu
álbum de estréia, "Os
Ritmistas", no ano passado. Seu álbum,
como os shows, apresentam combinações
harmônicas sofisticadas e letras inspiradas.
O formato tradicional é de MPB, mas
surpreende com uma sonoridade moderna e
atual. Tem vassourinha, tablas, balafon,
electribe, sampler, tambor de crioula, MPC1000
e 2000, cabaça, bongô e até
saco plástico. Nas referências
musicais, uma curiosa lista que inclui João
Gilberto, Cibo Matto, Café Tacuba,
+2, Hermeto Pascoal, Clube da Esquina, Nick
Drake, Soft Machine, Candeia e Fela Kuti.
Como opções de shows, o trio
pode fazer um set mais eletrônico
e minimalista com computadores e percussões
e os show podem crescer até o formato
banda, com duas baterias, computadores e
participações especiais.
Conhecedor e pesquisador de instrumentos
percussivos de diversas origens e estilos,
Orlando Costa atua como percussionista há
20 anos. Já tocou ao lado de Ney
Matogrosso, Caetano Veloso, Marisa Monte,
Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, João
Bosco, Fagner, Daniela Mercury, Vanessa
da Matta e Banda Mel, entre muitos outros.
Fez turnês nos Estados Unidos, Canadá,
América do Sul, Israel e Europa,
e participou de festivais como o Montreux
Jazz Festival, North Sea Jazz, Tim Festival
e várias edições do
Perc Pan, onde acompanhou Naná Vasconcelos.
Está se preparando para lançar
seu primeiro CD, que vai ganhar o nome de
"Eu...Porquê sou Percussivo".
Perc Pan, 15 anos
O Perc Pan nasceu do interesse e curiosidade
de Beth Cayres pela música percussiva.
Antropóloga baiana, produtora e curadora
do festival desde sua fundação,
eternamente apaixonada pela criação
rítmica, ela viajou durante mais
de uma ano por todo o mundo, assistindo
turnês e festivais, para escrever
uma tese acadêmica. Desta viagem nasceu
a idéia de criar e produzir o Panorama
Percussivo Mundial, um festival ligado às
origens culturais da Bahia, mas também
internacional, um evento capaz de expor
diferenças e sublinhar parentescos
entre culturas universais separadas pela
geografia. A tese nunca foi concluída.
Mas o sonho do festival logo se tornou realidade
com a ajuda de Arrigo Barnabé, diretor
artístico da primeira edição
do evento. Entre os convidados da primeira
edição, Naná Vasconcelos
e Gilberto Gil, que não tardaram
a se juntar à linha de frente do
Perc Pan. Os três, mais Marcos Suzano,
foram responsáveis pelo desenho definitivo
do festival, que não tardaria a se
transformar no principal evento do gênero
no mundo.
Durante seus quinze anos de existência
o Perc Pan foi itinerante - teve edições
em Salvador, Rio, São Paulo, Recife
e até uma em Paris. Mais: juntou
percussionistas com cantores, teve música
oriental e erudita, mostrou espetáculos
ao ar livre. Trouxe aos palcos nacionais
mais de 150 atrações, vindas
de todos os cantos do mundo. Gilberto Gil,
que teve nas mãos a batuta do festival
durante alguns anos, definiu: "O Perc
Pan tem uma importante função
didático-pedagógica, e por
não estar preso a esquemas comerciais
de gravadoras pode ousar mais que outros
festivais. É globalizante, mas trabalhando
a outra face da globalização.
ao juntar na Bahia os sons diversos da Ásia,
da África, da América do Sul."
A lista de artistas que passaram pelo palco
do Per Pan é enorme, variada, surpreendente
- como de resto, cada nova edição
do festival. Por lá passaram Doudou
N´Diaye Rose, o Ile Aye, Milton Nascimento,
Glen Velez, Elza Soares, Gal Costa, Dona
Ivone Lara, Caetano Veloso, Edith do Prato,
Carlinhos Brown, Jorge Ben Jor, Savion Glover,
Frutos do Mangue, Zeca Pagodinho, Bezerra
da Silva, Jovelina Pérola Negra,
Hermeto Paschoal, Wadaiko Yamato, Alessandra
Belloni, Maria Bethânia, Egberto Gismonti,
Zeca Baleiro, Tambores do Burundi, Olodum,
um grupo de índios do Xingu, Rita
Marley, Lenine, Daniela Mercury, Ivete Sangalo,
Margareth Menezes, Sly Dumbar, Rita Lee,
Arnaldo Antunes, o Afro Reggae, Hands On´Semble,
Mino Cinelu, Dhol Foundation, as ceguinhas
de Campina Grande, o grupo Lizamba Lela
Pigmeus Aka.
|