24/04/2009
INTERCÂMBIO
LEVA CENA PERNAMBUCANA À BAHIA
Mais
de 30 apresentações marcam a programação
da VIII edição do Festival do Teatro
Brasileiro – Cena Pernambucana, etapa Bahia
Projeto
que teve como inspiração a Mostra
de Teatro da Bahia chega a Salvador na sua oitava
edição. Depois de a cena baiana
aportar em Pernambuco em 2008, é a vez
dos pernambucanos invadirem os palcos da Bahia
mostrando um panorama de sua produção
teatral com a oitava edição do Festival
do Teatro Brasileiro (FTB) – Cena Pernambucana,
etapa Bahia. O evento acontece entre os dias 1°
e 16 de maio, ocupando a pauta de teatros, espaços
abertos da capital e cidades vizinhas, com uma
programação que conta com 11 espetáculos,
em 34 apresentações; além
de oficinas, palestras e encontros entre quem
faz a produção cultural e público
interessado.
O evento se propõe a realizar um intercâmbio
interestadual a partir da seleção
de diferentes segmentos da produção
cênica de um estado para apresentação
em outro, e conta com o patrocínio da Petrobras
Distribuidora. Para esta edição,
durante o período de seleção,
a organização do evento recebeu
inscrições de 42 produções
de Pernambuco. Desse total, a curadoria, formada
pelos jornalistas e críticos de teatro
Sérgio Maggio e Guilherme Filho, pré-selecionou
nove espetáculos e incluiu mais dois na
categoria de convidados para se incorporarem a
programação, entre eles “Caetana”
e “Castanha sua cor” .
O espetáculo “Caetana”, de
Moncho Rodriguez e Weydson Barros Leal, com as
atrizes Fabiana Pirro e Lívia Falcão.
Essa última conhecida do público
brasileiro por papeis em novelas da TV Globo como
“Eterna Magia” e “Belíssima”;
e também na telona em filmes como “Lisbela
e o Prisioneiro”, “A Máquina”
e “O Homem que Desafiou o Diabo”.
O espetáculo, encenado por Pirro e Lívia
Falcão, será responsável
pela abertura oficial do FTB na Bahia, na sexta-feira,
1° de maio, às 20h, no Teatro Vila
Velha.
Na programação, destaque para a
participação do Coletivo Angu de
Teatro, com a peça “Angu de Sangue”,
com direção de Marcondes Lima, baseada
em texto homônimo do escritor Marcelino
Freire, que acaba de ser mostrada dentro do Festival
de Teatro de Curitiba ao público da cidade.
O espetáculo de rua “Samba no Canavial”
com Pedro Salustiano abrirá o circuito
de rua com apresentações em Feira
de Santana, no sábado (02.05); em Camaçari,
no domingo (03.05); no Pelourinho, na segunda-feira
(04.05); e em Plataforma, na terça-feira
(05.05).
FORMAÇÃO - Por conta do perfil da
cadeia produtiva teatral de cada um desses estados,
a organização do FTB se propôs
a estruturar sua programação a partir
do reforço e estímulo as maiores
demandas de cada lugar. “Os principais compromissos
do FTB são divulgar a produção
teatral brasileira para os brasileiros; fomentar
a criação de circuitos interestaduais
de circulação; além de democratizar
o acesso a bens culturais, a partir de apresentações
em teatros e espaços públicos”,
explica Sérgio Bacelar, da Alecrim Produções
Artísticas, de Brasília, idealizador
e coordenador do Projeto. Entre as oficinas: “Despertando
Qualidades”, com Lívia Falcão;
“Danças Populares: Cavalo marinho,
Caboclinho e Ciranda”, com Pedro Salustiano;
“O Olhar Sobre a Cultura Popular nas Construções
Artísticas Contemporâneas”,
com a bailarina Maria Paula Costa Rêgo,
do Grupo Grial.
Com o projeto maduro, o FTB já tem planejamento
de outras edições até 2010.
Ainda em 2009, FTB –Cena Baiana, etapas
Ceará e Maranhão; FTB – Cena
Mineira na Bahia. E em 2010, FTB – Cena
Baiana, etapas Sergipe, Minas Gerais e Rio de
Janeiro.
Curadores – A programação
do Festival de Teatro Brasileiro é selecionada
por uma curadoria formada por Guilherme Silva
Filho, bacharel em Comunicação com
Habilitação em Jornalismo pela Universidade
Federal da Bahia (UFBA) e especialista em Crítica
de Arte, também pela UFBA, e Sérgio
Maggio, crítico teatral dos jornais Correio
da Bahia (1997 - 2001) e Correio Braziliense (desde
2001).
Números
– Ao longo das sete edições
do projeto, a organização teve suas
expectativas superadas. Foram mais de 80 espetáculos
(baianos, pernambucanos e mineiros) vistos em
mais de 200 apresentações por um
público superior a 50 mil espectadores.
HISTÓRICO
- A partir de 1997, a Alecrim Produções
Artísticas começou a produzir em
Brasília espetáculos baianos. Com
o início desse intercâmbio verificou-se
que o Teatro Baiano oferecia espetáculos
de excelência, de diferentes linguagens,
que poderiam compor uma mostra.
A
primeira edição da Mostra de Teatro
da Bahia foi realizada em 1999. Os resultados
alcançados levaram a realização
em 2000 da segunda edição. Cada
edição contou com a participação
de quatro espetáculos. Com um intervalo
de dois anos, o projeto alcançou um importante
grau de amadurecimento, passando a se chamar Festival
do Teatro Brasileiro (FTB) para que pudesse propor
o intercâmbio para outros Estados. Naquele
ano o foco ainda foi à Bahia e se chamou
FTB – Cena Baiana. Foram apresentados oito
espetáculos. Destacaram-se nessas primeiras
edições a participação
do então promissor ator Wagner Moura, Rita
Assemany, com o espetáculo Oficina Condensada
e Nilda Spencer – grande nome do teatro
brasileiro.
Em
2003, foi a vez do FTB – Cena Pernambucana,
com a apresentação de sete espetáculos.
Nesse momento, o Festival dá um novo passo,
acrescentando à programação
apresentações de rua, além
do deslocamento de algumas apresentações
para as cidades do entorno e a realização
de oficinas de qualificação profissional.
Foram destaques naquela edição:
o Grupo Piane com o espetáculo “Ditirambos”
e Geninha da Rosa Borges, veterana do Teatro Pernambucano.
Dois
anos depois, foi a vez da Cena Mineira. Foram
oito espetáculos. Mais uma vez o projeto
inova com a realização de oficinas
de média duração. Uma de
construção de instrumentos e transmissão
de ritmos da cultura musical popular para 180
jovens em situação de vulnerabilidade.
E uma segunda para três jovens grupos de
Brasília, com 240 horas de trabalho, coordenada
por Chico Pelúcio, ator do grupo Galpão.
Em
janeiro de 2007 o projeto aconteceu pela primeira
vez fora do Distrito Federal. Realizou-se o FTB
– Cena Mineira no Rio de Janeiro. Uma comprovação
do potencial do projeto. A estréia, 12
de janeiro, era também a de mais de 22
produções na Cidade Maravilhosa,
vitrine do Teatro Brasileiro. Os resultados não
poderiam ser melhores. Taxa de ocupação
superior a 90% em todas a seções,
apresentações de rua empolgantes
e destaque na mídia.
Ano
passado a Bahia esteve em Pernambuco com a Cena
Baiana. Espetáculos como “Aroeira”,
da Cia Viladança; “R$ 1,99”,
que já passou por Brasília, Rio
de Janeiro e Curitiba; “Ó, pai, ó!”,
do Bando de Teatro Olodum; e “Shopping and
Fucking”, com texto do inglês Mark
Ravenhill; causaram frenesi na plateia recifense. |